quinta-feira

Finalmente aprendi a usar decentemente o twitter xD Se quiserem podem seguir-me através de: http://twitter.com/joaorgpires

Já agora, rezem comigo para que eu quando for a Inglaterra vá contra uma inglesa jeitosa para ela depois me dizer: "Oh, I'm sorry" para eu responder... "Hi, Sorry. I'm João". (piadas secas FTW!)

terça-feira

Perdi a fala. Engoli uma lágrima salgada que caiu lentamente pelo meu rosto e emudeci. Repentinamente. E choro, só mais uma vez. E chorarei uma, e outra e outra. Até aprender que as tuas mãos são pálidas, o teu rosto é rosado e o teu cabelo esvoaça como o de ninguém. E apesar de não te amar, és a pessoa de quem eu mais gosto. E tu sabes disso.
Sabes? Eu adoro-te, melhor amiga. Para sempre. E juro. (E faço uma cruz com os dedos em frente à boca). Sei que o amor não dura para sempre, mas a amizade sim. E eu amizar-te-ei para sempre.
Vás para onde vás, leva-me contigo. Por favor.
Tenho um segredo para vos contar. A coisa mais difícil de enterrar não é uma pessoa, não é uma pessoa querida, não é uma pessoa amada, não é uma recordação, uma memória que não queremos guardar, lembrar. A coisa mais difícil de enterrar... é o amor.
Short story number three – I was cheating on you

Afonso entrou no quarto de pensão onde eu estava, juntamente com Cristina.
- Mariana, vai-te embora. Deixa-nos falar. – disse-me Afonso. E foi isso que fiz. Quero dizer... Mais ou menos. Eu queria ouvir aquela conversa. O resultado daquela conversa iria decididamente definir o meu futuro.
Eles estavam a discutir, e alto o suficiente para se ouvir em toda a pensão. Ou seja, eu não precisava de estar ali para ouvir aquilo.
- É verdade? – perguntou, desolado, Afonso.
- O quê?
- Tu sabes muito bem! Não te faças de desentendida, porra!
- Desculpa?
Pensei naquele momento que ia ser muito mais difícil separá-los do que aquilo que eu estava à espera. Mas depois... Eu tinha dado os conselhos certos. A um e a outro.
- Eu sei que tu me traíste.
- Como?
- Admite!
- Ok. Eu admito. Eu traí-te. Estás mais contente agora?
- Eu não acredito. Ainda por cima com o Carlos! O meu melhor amigo? Puta de merda!
- Desculpa?
- Sim, és uma oferecida. Puta de merda!
- Pára de me falar assim!
- Sabes que mais? Está tudo acabado entre nós.
E ele saiu porta fora. Desceu as escadas e atrás dele desceu ela.
- Afonso! – ouvi-a gritar. Eu fiquei no meu cantinho, a agradecer a Deus por tudo ter corrido como eu esperava.
De repente. Ouvi um carro a travar, seguido de um estrondo.
Desci as escadas, com medo que Afonso tivesse sido atropelado.
- Cristina! – ouvi Afonso gritar. Merda, pensei. Afinal foi ela. Deus queira que morra.
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Olhei para o chão. O sangue de Cristina escorria para o chão, como um rio que flui naturalmente, a caminho do oceano, onde só há paz.
Os cabelos castanhos de Cristina poisavam no alcatrão, despenteados, como se ela tivesse sido electrificada. Ou tivesse visto um fantasma. Mas fui eu que vi um fantasma. O fantasma que fizera com que eu fosse atropelado tinha ido atrás da mulher que eu mais amo.
Agarrei na sua mão direita e disse-lhe que não se preocupasse, pois tudo iria ficar rapidamente bem. Ao mesmo tempo, a condutora da carrinha branca chamava uma ambulância, com uma voz quase tão assustada como a minha.
Cristina pediu-me que chegasse a cabeça perto da boca dela. Tentou murmurar-me qualquer coisa, mas eu não quis ouvir. Disse-lhe para não falar, pois podia ser pior.
Tirei da mochila que carregava às costas uma pequena garrafa onde tinha uns 20 cL de álcool. Bebi-os de um só trago, como se fosse um shot, e esperei que a minha dor interior ficasse menor. Não ficou. A cabeça de Cristina girara ligeiramente, e agora a sua face rosada direita jazia sobre a tinta branca da passadeira. Encostei o ouvido junto da zona do seu nariz. Ela não respirava.
- MERDA!
Tentei aplicar o que aprendera uns meses antes nas aulas de primeiros socorros (antes de ser nadador savador nas férias de Verão) mas ela parecia não responder ao meu chamamento.
Ela estava... Morta.

Dia do funeral. Enquanto me despedia de Cristina, olhando o seu rosto angelical, senti alguém aproximar-se de mim. Respirava pesadamente, e logo me virei para trás, para poder encarar o seu rosto.
Era Mariana. Aproximou-se um pouco mais de mim e disse:
- Desculpa, eu só estava a tentar...
- O que se passa, Mariana?
- Eu menti-te. A Cristina não te traiu.

segunda-feira

Sabes? A minha mãe chama-se Maria.
Pessoal... O coelho da Ana... faz oito anos! Por isso anda um pouco mais para baixo e põe a música a dar antes de começares a ler o texto.

Hoje é segunda-feira. Nem sei porque é que vos informo. O título do post indica-vos isso mesmo. Mas enfim, hoje é segunda-feira, e após algum tempo, vou atrever-me a deixar as short storys e afins em banho Maria para um pequeno momento de insanidade mental.
Estou farto de falar de mim, mas igualmente sinto saudades de não falar de mim. Bem sei que a minha vida se pode tornar desinteressante, principalmente quando te pões a ler nas entrelinhas dos meus textos e percebes que há armários com pequenas crianças que espreitam pelo buraco da fechadura, que jogam às escondidas contigo, à espera que tu as encontres.
E cá estou eu. A tratar-te por tu. Não sei que idade tens. Não sei se és demasiado novo, não sei se és demasiado velho. Não sei se és rapariga, se és rapaz. Nada sei sobre ti. Porque tu tens tantas caras. Tu leitor, tens tantas caras. E tantas são tão poucas. Mas, apesar de tudo, eu sei que tanto podes ser rapariga como rapaz, tanto podes ser homem como mulher, ou até criança. Tanto podes estar a beber água como a beber vinho.
Sabes?, há alturas na tua vida em que tens de fechar muitos os olhos e ser criança por uns segundos. Imaginar que quando voltares a olhar para o mundo estás noutro local diferente daquele em que te encontravas antes de sonhares acordado. Precisavas de te afastar, por um momento, das presas invisíveis que te prendem à rotina, ao normal, ao habitual. Precisas de refrescar as ideias, por um pouco.
Pára. Pára por um pouco. Por um pouco pára de ler.

Agora que já fizeste uma curta pausa já posso continuar. Numa das minhas epifanias nocturnas, acompanhadas por longas insónias, apercebi-me de uma coisa muito importante. E é isso que agora me ajuda a conseguir aguentar de cabeça erguida os obstáculos que tentam todos os dias derrubar-me. Tu és herói. És herói da história da tua vida. Nunca te esqueças disso. E os heróis também sofrem. Os heróis também choram. Os heróis também são como tu. E tu como os heróis.

:)

Desculpa o momento de insanidade mental. Prometo-te que será longo. Devias experimentar, também. Só precisas de pegar numa caneta e num papel e começar a escrever.

Ah, e prometo-te que as short storys voltam. Ainda hoje.
A falta de personalidade é um problema... tipo... grave.

domingo

Calma, não fechem já a janela. Eu sei, o tema parece um pouco chato e assim, mas eu hoje vou falar-vos sobre a minha opinião em relação a todo este aparato em torno da homossexualidade.
Recentemente, ouvi um cromo qualquer na televisão heterossexual a dizer que os homossexuais eram esquisitos. Pois bem, eu (heterossexual) devo dizer que acho que os heterossexuais também são completamente esquisitos. Vejamos: Uns só gostam de gente do mesmo sexo. Outros só gostam de gente do sexo oposto! Se formos a ver, as únicas pessoas ditas "normais" são os bissexuais! Porque eles é que gostam de tudo! Sejam rapazes, sejam raparigas eles é que são os "normais". Nós parece que nos meteram carne e peixe no prato e nós pomo-nos a escolher se preferimos carne ou se preferimos peixe. Já os bissexuais não pensam duas vezes antes de provarem um pouco de cada e depois limparem o prato.
É, todo este aparato em volta do casamento homossexual e tudo mais tem sido bastante estúpido. Se há alguém que tem direito a pronunciar-se (e mesmo assim, tento na língua) são os bissexuais. Mas enfim. Os heterossexuais acham-se superiores... Só tenho mais uma coisa a dizer: bissexuais ao poder. Decidam vocês o que querem que aconteça (tenho a certeza que eles não se importam. Porquê? Porque não são esquisitos).

E agora, ainda queres usar o argumento de que os homossexuais não se podem casar porque ser heterossexual é que é normal?
Descalça-te. Não, a sério. Faz o que digo. Descalça-te. Sente o chão frio por baixo dos teus pés. Se estiveres sentado levanta-te. Deixa que o peso do teu corpo caia sobre os teus pés. Estás a sentir? Não consegues aguentar-te em pé, pois não? Pois bem, psicologicamente também te sentes assim.
Tiveste coragem. Tentaste. Era o que um bom pai faria. Era o que qualquer pessoa faria naquela situação. Um dia, tu amas a tua mulher acima de qualquer coisa. No dia a seguir, leva-la para o hospital, porque rebentaram as águas e está na hora de mais um milagre da vida. De seguida, ela pensa que tu a traíste, bate na tua filha e pede o divórcio. Ultimamente, pedes a custódia da tua pequena, e infelizmente, não a consegues, porque és um traidor mulherengo que certamente não será capaz de cuidar da filha.
Não. A tua vida está de pernas para o ar e tu não sabes o que fazer. Cantarias e tocarias, se ainda tivesses guitarra. Mas a outrora mulher dos teus sonhos (actualmente mulher dos teus pesadelos) tornou esse teu desejo impraticável. Ligar à tua filha, que é quem mais queres ouvir naquele momento, também não podes, porque ela não tem telemóvel próprio e quem vai atender o telefone fixo com certeza é a pessoa que menos queres ouvir. Então, tomas o proveito daquilo que tens fama. Vais a um bar, entras, e pedes um whisky duplo com gelo. Mas aquilo é demasiado fraco para ti, e tu percebes ainda mais isso quando chega um jovem (acompanhado pela namorada?) e ordena ao barmen que lhe sirva dois shots. Ele serve o casal e volta para o lava-loiça, para lavar uns poucos copos sobre os quais poisavam uns quantos pratos onde tinham sido servidos camarões ou algo do género. Nunca foste bom a distinguir mariscos, portanto ficas na dúvida. Enfim, após o compasso de espera em que observaste o homem, já com uns poucos cabelos brancos (como tu terás daqui a uns anos) a curvar-se diante da pia, a esfregar a sujidade que teimava a sair. Mas... Qual o interesse disso? Qual o interesse de ver um velho a lavar a loiça? Tal como aqueles utensílios de cozinha teimosos, a tua ex-mulher é como sujidade que teima em sair: por mais que tentes, ela não arreda pé. Às vezes, nem com desengordurante. Ou advogado. Enfim, chama-lhe o que quiseres.
Pedes, por fim, um shot. E mais outro. E outro, e outro, e outro. Quando dás por ti, já não estás em condições para conduzir. Ligas ao teu melhor amigo, que é um pouco mais novo que tu, mas ele rapidamente te despacha pois está a meio de uma boa queca. Não queres ligar aos teus pais porque eles estarão demasiado ocupados a curtir as férias no Algarve. Só te resta uma opção: o teu irmão. Que é igualmente o teu advogado. Porra, pensas. Estás lixado. Como é óbvio não vais ligar ao teu advogado a dizer que foste embebedar-te para um bar porque ele perdeu um caso. Porque já nem pensas no facto de ele ser o teu irmão.
A tua única solução é conduzires tu. Deixas o bar, por fim, e procuras as chaves lentamente no fundo do bolso direito dos calções. Quando vais para abrir o carro, paras para pensar. Mesmo bêbado, estás a conseguir estar minimamente lúcido. Se conduzires terás certamente um acidente. E aí, mesmo que sobrevivas, sabes que perdes a tua filha para sempre. Então, atiras-te ao chão. E deixas-te ali ficar. Porque o mais importante é teres a tua filha. Dormitas um pouco, ou alucinas, melhor dizendo. Mas lá está, a tua filha é o mais importante. Então, levantas-te do chão, ergues-te de uma só vez e dizes:
- Eu não vou desistir.
E abres o carro. E então...

Ligas o carro. Partes sem olhar para trás. Metes os headphones nos ouvidos. Ligas a música. Apesar de tudo, sabes que alguém te chama, mas não abres o vidro nem olhas pelo espelho retrovisor para confirmar. Só queres pressionar o pedal e seguir em frente. É isso que fazes. Mais uma vez, foges. Não olhas para trás. Partes sem olhar para trás. Tal como "no tempo dos assassinos", tens uma força que te faz seguir em frente. Pões músicas do disco do Jorge Palma a tocar. Do melhor álbum dele. Aquele álbum que te deixa a cabeça num sítio qualquer que nem os teus olhos vêem. Aquele lugar que a tua mente cria. Aquele lugar pacífico onde ouves o mar e os passarinhos a cantar. Aquele lugar verdejante cheio de pequenos bichos do mato que tentam alcançar-te. Alguns, conseguem ultrapassar a barreira que criaste, outros perdem-se no tempo, na passagem, no processo. Uns sabem que és indefeso e avançam. De alguns gostas, e deixa-los passar, até ao momento em que te apunhalam pelas costas. Outros, escondem-se nos alimentos, no pão nosso de cada dia, naquilo que te mantém vivo todos os dias da tua vida.

Mas encostas o carro, durante um pouco. Tu sabes quem te estava a chamar. Era o barmen. Ele sabia que tu beberas demasiado, e estava para te ir dizer que tomara a liberdade de te chamar um táxi. Mas não queres saber. Queres ir para casa, dormir e pôr-te sóbrio, para continuares na luta pelo que é teu por direito.
Metes o pé bruscamente no acelerador. Manténs uma velocidade constante de 80 km/h dentro de uma localidade. Do outro lado da estrada, repentinamente, aparece um carro, acabado de sair da curva, com os máximos ligados. A luz cega-te.

A tua vida continua, descrita em palavras. E agora? O que acontece agora? O que achas que acontece agora?