segunda-feira

Stop!

Bom. Muitos de vocês perguntam-se, neste momento, que raio aconteceu ao meu blog. Desde mais queria dizer que o fundo é enganador. Não vale a pena ficarem aqui à espera, não vão aparecer vacas a pastar que vocês possam matar e arranjar, assim, jantar, e poupar uns trocos que isto com a crise... toda a gente aperta e tudo afunila.
Depois, o símbolo de stop também é algo enganador. Não se preocupem, não estou maluco, sei bem que não chegaram aqui ao meu blog de mota ou de carro.
Entretanto, vou continuar o registo que tinha aqui no shitty words. Se quiserem estar actualizados sobre a minha vida, passem por lá.
Para finalizar esta nota introdutória (sim, ainda estou na nota introdutória) queria comunicar-vos que o blog colesteral olto está a mudar porquê? Porque... o fundo a preto está a ficar carito e eu tenho que poupar uns trocos, que isto com a crise... Por outro lado, agucei o meu humor, portanto... Tá?
E pronto, vamos então ao que interessa. Um leitor que pratique o desporto "caça ao tesouro" com elevada assiduidade já terá reparado que eu falei já duas vezes em poupar trocos. Porquê? Isto tudo tem uma razão de ser, que é... Nenhuma.
O que se passou foi isto: Estava eu muito bem em casa, abre-se-me a porta de casa, assim, à força bruta e de repente. Eu agarrei na frigideira, e escapei-me para a sala, para surpreender o que julgava ser um assaltante. Vai daí, o sujeito entra e eu apareço, grito e levanto a frigideira para lhe bater na cabeça. Que é que sucede? Nem era um assaltante, nem era um sapo, nem era o Fernando Pessoa. Era a minha mãe. Conclusão, tive eu o trabalho de ir à cozinha sacar uma frigideira, quando afinal era escusado gastar a gasolina para lá ir se nem sequer ia dar uso à frigideira. Mas pensei: "Epá, isto com a crise, vamos mas é fritar aqui umas batatas ou estrelar uns ovos que é para ver se poupamos uns trocos". De seguida, entra-me um ninja pela janela. E eu: "Ai, queres ver que agora já parti a casca ao ovo e já despejei o seu conteúdo para dentro da frigideira e agora sempre vou precisar dela para abrir uma ou duas cabeças?". Vou à cozinha e deparo-me com um pássaro. E eu: "Queres ver que o pássaro agora quer ficar cá em casa? Mas é que nem pensar!". Mas entretanto, dei comigo a ouvir uma voz a ecoar dentro da minha cabeça e decido o quê? Aproveitar o facto de o pássaro precisar de abrigo para lhe cobrar renda e ganhar uns trocos, que isto com a crise...
Entretanto, decido fazer o almoço: legumes com peixe. Acabo de o fazer e lembro-me que tinha um ovo esbardalhado contra uma frigideira. Estrelo então o ovo e, a certa altura, dou comigo a pensar: "Então mas onde é que está a minha mãe? Queres ver que ainda está ali no hall de entrada?". Vou confirmar, e deparo-me com a minha mãe, especada em frente à parede, com um cêntimo na mão direita. Diz-me ela: "Ia eu na rua, e encontrei uma moeda no chão. Estava toda preta e curvei-me para a apanhar. Na minha ideia era uma moeda de 50 euros. Mas depois pensei: «Ó Maria, então mas se fosse uma moeda de 50 euros já teria havido algum jovem gatuno a levá-la para casa. E além disso, as moedas de 50 euros não existem». Foi então que percebi que era uma moeda de um cêntimo. Fiquei toda contente, e vai daí, trago a moeda para casa. Eh, moeda de 1 cêntimo. Pensavam que a ia deixar lá? Nem pensar!".
É assim, estamos em crise e tudo bem, precisamos de poupar e todos os trocos são importantes. Mas ficar feliz com um achado de uma moeda de um cêntimo?
Dediquem-se ao coleccionismo. Ou à caça ao tesouro. A primeira não dá bolhas nos pés. A segunda não dá bolhas nas mãos. Se gostarem de bolhas, dediquem-se aos dois.

Até à próxima! E não ponham gasolina na Galp, que fica mais caro! (gatunos!)

domingo

i+(pi)=(L)

Gosto muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito de ti, Inês *.*

terça-feira

Inês dos caracóis pró-apopléticos

Nunca fui bom nas artes plásticas. Nunca fui daquele tipo de pessoas que se abstraía  a pintar ou a desenhar, talvez por falta de engenho, talvez porque nunca quis desenvolver as minhas capacidades nesse campo, pois preferia fazer as pessoas imaginarem, ao invés de lhes espetar a coisa na frente dos olhos.
Porquê? A resposta é simples. A imaginação é uma das armas mais poderosas que o ser humano possui. E lá porque não pinto, não quer dizer que eu não tente, a cada dia que passa, moldar toda e qualquer palavra, da forma mais bela que eu possa.
Talvez tu sejas bom nas artes plásticas. Talvez tu saibas moldar formas. Portanto, prepara a tua aguarela e junta-lhe a imaginação.
Imagina o mundo real. De entre os biliões de pessoas, escolhe uma. Aquela rapariga que te chega pelo queixo. Aquela rapariga a quem tu pedes para não roer as unhas, porque as mãos dela são demasiado suaves e belas para serem deformadas. As mãos que tu queres segurar e acorrentar a ti, porque não mais as queres largar. Passa-lhe a mão pelo cabelo. Sente os longos caracóis que te deixam apoplético. Olha-a nos olhos, vê-a a olhar para ti com aqueles pequenos olhos, por cima das lunetas, e com um sorriso do tamanho do mundo. Encosta o teu nariz ao dela, nariz esse que se encontra no meio das suas bochechas rosadas. Abraça-a, abraça-a com toda a tua força, porque amanhã pode haver alguma coisa que vos separe. E suas como tudo, sentes o calor um do outro, de corpo para corpo. Sentes as larvas do estômago a metamorfosearem-se, a tornarem-se borboletas com a chegada da Primavera. Sim, isso é o amor.
E não, ela não é perfeita. Mas é a coisa mais bela que já viste. Mais querida, que te prende. E no final do dia, ela vira-se para ti e diz: “gosto muito de ti”. E tu tens um ataque cardíaco.
Sim, é o amor. E é a coisa mais bela do mundo. A tela que todos querem pintar, mas nem todos conseguem. Eu consegui, e posso não ter pintado uma aguarela, mas escrevi o melhor texto que já alguma vez pintei. Para ti, que tudo és para mim. Para ti, Inês. E ai de ti que fujas da minha vida. Pelo menos deste texto já não foges.

segunda-feira

One day, I'll make sure my son will love his parents. I'll make sure he loves his brother, his sister. I'll make sure he loves his whole family.
I'll make sure he enjoys the simple things in life. "Things that, in the end, when the time steals the rest away, are the only things will remember." (Everwood) I'll make sure he learns how to speak, so he can say to the ones he cares the most that he loves them. I'll make sure he learns how to walk so he can walk a million miles just to meet the ones who are too far away. I'll make sure he learns how to read, so he can learn how to write beautiful things and mold words as easy as possible.
Yeah, one day, i'll teach my son that things sometimes leave, and there's nothing we can do about it, we just have to let them leave. So when my son learns i'm his father, I'll make sure he loves me. And I'll also make sure he loves his mother.
One day, my son will grow up, and he'll make me proud. Because I'll teach him right.

sábado

Episódio 6


Jazes debaixo da terra. O teu corpo, devorado pelos bichos da natureza, portanto, melhor dizendo, o que resta dele, há muito que é sugado pela gravidade sem dar resposta. A tua filha, relembra o dia em que foi o teu funeral, algo que a sua inexperiente mente não conseguia compreender.
"Querida, lembras-te quando o papá dizia que às vezes as flores murcham a tal ponto que não conseguimos mais recuperá-las?"
"Sim..."
"Foi isso que aconteceu com o papá."
"Mas o papá não é uma flor, e também não está murcho."
(murmuro) "Mas será um dia."
E tantos anos depois, a tua filha, apesar de já compreender a morte, não compreende porque tu foste afastado dela, tão de repente, tão cedo. Ela não percebe porque não teve os teus olhos para a guiarem num mundo tão complexo e perigoso. E ela sentiu-se desprotegida. Ela ainda se sente desprotegida.
E foi por isso que ela procurou, na cave de sua casa, uma caixa, na qual ela guardara objectos de infância. Incluindo A Carta. A Carta que "te escrevera" e guardara, quando tinha 14 anos.
E hoje, ela volta a ir pôr-te flores na campa, e lê-ta. Com fé que tu a oiças.
"Querido papá,
Lá na escola os professores dizem todos que sou muito esperta. Tiro boas notas, participo em todo o género de concursos, recebo diplomas de mérito. Já compreendo a morte, compreendo que a certa altura o coração e cérebro param e o ser humano morre, mas ainda assim... não compreendo porque tiveste tu que morrer. Não compreendo que ser egocêntrico és tu, que me deixas para vagueares pelo nada, onde nem leis da física haverão.
Vivo com os tios. Ainda vejo a mãe, uma vez por mês, mas não é com ela que me sinto em casa. Nem com os tios, mas com eles é diferente. O tio foi feito do mesmo sangue que tu foste feito, portanto de alguma maneira mórbida às vezes penso que ele é um zombie, e que esse zombie, por sua vez, és tu. E não te preocupes, eles educaram-me bem. Faço tarefas domésticas, faço a higiene pessoal, estudo.
Melhor! Inscreveram-me na música. Na guitarra, claro, tal como tu quiseste, um dia, para ti. Sinto-me bem feliz, com música nas mãos, com notas a fluirem-me dos dedos como se eu fosse uma caixinha de música. E por falar em caixinha de música, aquela que me deste quando era pequenina desapareceu. Fiquei mesmo triste quando me apercebi disso. Não sei como aconteceu, já obriguei a tia a virar a casa do avesso, mas a caixinha não dá sinais de vida. Mas ainda não desisti, ainda hei-de encontrá-la.
Sei que esperavas mais de mim, nesta carta. A verdade é que eu não consigo. Por mais que digam que sim, escrever cartas não ajuda tanto assim. Porque eu continuo a sentir falta das tuas mãos a passarem-me pela cabeça, os teus abraços e beijinhos antes de dormir. Sinto falta de acordar contigo a aconchegar-me a roupa da cama, antes de ires dormir, e de me dizeres que me adoras. E hoje lamento de nessas alturas ter continuado a fingir que dormia e não te ter respondido com um "e eu de ti, papá".
Está na hora. Tenho que ir. É quase meia-noite. Os tios já foram lá abaixo buscar o champagne. Resta-me tempo para te deixar um beijinho e um abraço por carta. Espero que haja alguma forma de receberes.
E pai, eu sinto tanto, mas tanto a tua falta.
A tua filha."
E ela vai para se ir embora, com os olhos feitos de lágrimas, e algo a detém. Volta para trás, deixa a carta por cima da tua campa e diz-te: "Estive estes anos todos a preparar-me para te deixar ir. Acho que infelizmente está na altura. Até a mãe já deixei ir, no ano passado. Só faltas tu. E eu não quero..." (faz uma pausa infinita) "Mas está na altura. Adeus, pai, podes ir. Abraça-me só mais uma vez, bem junto de ti."
E ela prepara-se para te deixar ir, mas antes deixa uma nota junto da carta: "At every occasion I'll be ready for a funeral".

Quem te dera que ainda tivesses vida. Quem te dera que não fosses apenas um saco de ossos. Quem te dera poderes agarrar a tua filha, abraçá-la e dizeres-lhe: "Filha, não tens que me deixar ir. Eu não vou a lado algum."

segunda-feira

Ter e^{i{pi}}+1=0

Tenho uma confissão a fazer, gosto de ti.
Tenho outra confissão a fazer. Eu também tenho medos. Também tenho medos que me atormentam. Tenho medo do meu passado. Tenho medo de mim. Tenho medo da distância. Tenho medo de não te poder ver durante mais tempo do que esperava, à partida. Tenho medo de não ter todos os miminhos que te quereria dar, que te prometi dar. Tenho medo de tudo e de nada. Até acabo por ter um bocadinho de medo de ti, e nem sei bem porquê. Tenho medo que a minha boca seque e não te possa dar mais beijos. Tenho medo que me arranquem os braços e não te possa mais abraçar junto a mim. Tenho medo que não me arranquem os braços, mas sim as mãos, e eu já não possa acorrentá-las às tuas. Tenho medo de ficar sem voz e não te poder nunca mais dizer que gosto de ti. Tenho medo de ficar cego e não poder ver mais o teu sorriso, ou os olhinhos que me fazes por cima das lunetas. Tenho medo de morrer. Tenho medo que tu... morras. Tenho medo de te perder.
(Tem piada, estar a usar tantas vezes o verbo "ter", e não te ter aqui ao pé de mim agora. Tem piada, porque até a frase "tem piada" usa o verbo ter.)
Eu sei que é chato ter medos. Eu também os tenho, Inês. Mas tento não ter. Tento não ter medo. Porque tu vales muito mais que uma quantidade infinita de medos. E nós temos falado todos os dias. Seja msn, seja cara a cara, seja mensagens (obrigado Catarina, colega de carteira da i). E ainda neste fim de semana estivemos juntos *.* E em breve voltaremos a estar, sim? :)
Desculpa não escrever muito sobre ti. Há razões que já te disse. Há outras razões, tipo achar que se calhar não vou arranjar palavras fofinhas que sirvam de miminhos "verbais". Talvez os medos também cá estejam. Aliás, estão, há um medo que te falei, aquele de dizer alguma coisa que seja coiso :/
Teorema de Ferreira-Pires: i+{pi}=(L). Quero mostrá-lo contigo. Deixas?

You drive me Crazy.
E por favor, não desapareças. Eu não o farei. Tal como prometido. *

domingo

Prometo. Prometo que amanhã escrevo sobre ti. Hoje não, porque os meus olhos doem, e estou com um sono do tamanho do mundo.

Sonhos fofos, i*