quarta-feira

"She said:
'Run now, for god's sake!'
He said:
'I can't leave you behind'
She said:
'You're not leaving me behind alone'
He said:
'Yes, I am. You're the one who should run away, or you're gonna get hurt'
He had already told her that several times, and she was sick of hearing that. But she... adored... him so much she couldn't run, but she knew he would ask her all over again to run.
'Should I stay or should I go?'
'You know I want you here, Alexishine. You know I can not leave without you, but you should leave. You should run, you should never look back. I don't wanna hurt you. I just... can't hurt you. You're to good to be broken'
She kissed him on the forehead. And then, they both ran away from each other, and after a few seconds, he looked back and he couldn't see her. His friend, Luísa, told him:
'That's the price you pay for letting her slip trough your fingers'
And he argued:
'I didn't. She just didn't want to stay'
She yelled:
'Yes, she did, but you sent her away.'"

Please, stay. I'm asking for you to stay. Don't run.

And you know, if she had stayed, he wouldn't have hurt her. But it's too late to apologize. And now he's looking for her, keeping up the pace. He's running to get her back. Will he be able to bring her back? Will he find her?
We all hope so. Their friendship is just too strong to fall apart right now. Or ever.

segunda-feira

Believe with your eyes closed.

Quem quiser o texto, peça. Pode é acontecer eu recusar-me a dá-lo.

E a música do texto pode ser descarregada legalmente e tudo mais aqui.

sexta-feira

First, quero pedir à Karma Police para me prender.

Vou ao armário. Não tiro o primeiro copo que está à minha frente. Procuro bem, e escolho aquele que me parece melhor. Bebo por ele durante semanas. A cada dia que passa, vou gostando mais e mais do copo. Tornamo-nos inseparáveis. A dada altura, dou conta que ele não estava como eu pensava. Tinha uma racha. E dou conta disto quando sinto o meu lábio a doer, quando sinto gotículas de sangue a pingarem-me para a "contra-palma" da mão. Limpo a boca. Viro-me para o copo que escolhi e digo: "After all, you're just as damaged as me, aren't ya?"
Sim, há pessoas que arranjam metáforas estranhas. Eu talvez seja uma delas. Mas este copo foi escolhido porque era especial. E eu reparei que era especial logo ao início. E escolhi-o, eliminando todos os outros como hipóteses. E já lá vão 104 dias. E eu pergunto-me se estará na altura de lavar este copo. Já bebi por ele tantas vezes. Questiono-me como quem questiona "ser ou não ser, eis a questão" se será culpa minha, se eu rachei este dito copo e não dei conta.
Serei espada, serei punhal, serei leão faminto? Não, apaga. Escreve outra vez. Reescreve a história. Desta vez faz tudo perfeito. E o copo está arranjado, e tudo graças a mim. Sim, eu prometo. Eu vou colar-te. Vou procurar a parte que se despegou de ti e vou dar-ta, com as faces rosadas, os pingos de suor a soltarem-se da testa, a escorrerem pelos olhos, a lágrima no canto do olho, o chapéu ao peito e vou esperar que queiras vir comigo, pois eu hoje prometo-te levar-te a ver o Universo, mas há um senão: não podemos mais voltar. E eu sei que não podes deixar tudo para trás.
Orquídea minha, reguei-te estes 104 dias, e se tu não vais comigo, eu não vou de todo. Porque há quem te possa regar todos os dias para além de mim, mas ninguém pega nas pétalas com o cuidado que eu pego.

E apetece-me apagar este post.

E sim, nunca a música veio em primeiro lugar num post com texto.

quinta-feira

Mói, tritura, emulsiona. Separa, torna mais nítido. Tudo o que a equipa de cientistas quer é descobrir os resultados da experiência e, como tal, só quer que o dia acabe, pois sabem que no final do dia vão ter as respostas que precisão.
Não. Ainda não foi desta. Agora, é mais uma noite à espera do dia em que a experiência possa responder-lhes. E eles esperam avidamente. Esperam num sôfrego interminável. Talvez seja amanhã.
Mói, tritura, emulsiona. Separa, torna mais nítido. Talvez amanhã resulte. Talvez amanhã a cama seja o sítio ideal para se estar, pois talvez amanhã o sono venha com vontade. E talvez amanhã não hajam dores de estômago, por estarem à espera do resultado da experiência e esquecerem-se de comer. E espera-se, mais um dia. Mói, tritura, emulsiona. Mas... Não separou, não tornou mais nítido. Merda. Erro experimental. Pára, recomeça. Mas amanhã, porque hoje já não ninguém consegue aguentar a pressão da experiência.

quarta-feira

Rasgo as ruas que atravesso. Sujo a roupa com tal suor suado suando fortemente, como quem liberta toxinas e só o quer fazer: libertar toxinas. Liberto a raiva, limpo o horror, apanho a felicidade. Mas não. Pára, recomeça. Rasgo a roupa. Sujo as ruas que atravesso com tal suor suado suando fortemente, como quem liberta toxinas e só o quer fazer: libertar raiva. Liberto as toxinas, limpo a felicidade, apanho o horror. E isso sim. Ciclo vicioso, ciclo sem fim. "Today was gonna be the day, but they'll never throw it back to you. By now you should have somehow realized what you're not to do". Mas faço-o. All over again. Sento-me, deito-me, ponho-me de pernas para o ar e cabeça para baixo. E às vezes estou bem umas horas, mas acaba sempre por voltar tudo ao mesmo. E eu já tinha percebido, mas negaram-me. E eu acreditei.
Pára, recomeça. Escreve a história de novo. Disco riscado. Pedras soltas. Pés descalços. Mãos desatadas. Abraços perdidos. Beijos roubados. E eu quero cometer um erro. Quero deslizar-me. E talvez o vá fazer. Se tiver que ser, será. Vou deixar-me ir, não me vou prender, não me vou agarrar. Que a maré me leve, contra as rochas, para outros mundos, outros continentes. Se eu der à costa, azar. Se eu nunca mais for encontrado, perfeito. Se a história não puder ser decidida por mim, péssimo. E não pode.
"O jantar está pronto!". Mas eu não quero jantar, e o jantar é sopa comprada no self-service. In fact, queria ter um gira-discos. Assim jantava todos os dias um "Dark Side of The Moon", um "Master of Reality". E em dias de festa jantava, numa aparelhagem, um "The Bends", um "Ok Computer", um "Amnesiac", um "Kid A", um "Hail to the Tief", um "In Rainbows". Sei lá. Talvez nem jantasse de todo. Talvez não me alimentasse. Ou alimentava, mas continuava com as dores de estômago que tenho tido. Porque a verdade é: eu não tenho comido nada de jeito.
Vamos. Pára, recomeça. Limpo o suor, limpo as lágrimas que me escondem no escuro. Salto para o mundo. Salto o mais alto (im)possível. Oh, como eu queria secar-me. Mas está avariado. Tudo em mim está avariado. Todos os mecanismos, tudo. Está tudo descontrolado. E chega. Pára, recomeça, e não olha para trás, porque desta vez vai ser diferente. Seja com, ou sem ela.

domingo

Episódio 4

Episódio anterior

A água do chuveiro corre. A água do chuveiro lava-o. A água do chuveiro escorre pelo seu corpo. O vapor enche a casa de banho. A cortina da banheira está corrida, mas não totalmente, e o chão enche-se um pouco de água.
- Merda.
Desliga a água, pega na toalha, e limpa-se. No corredor, ouve-se:
- Porquê?
Ele salta. Percebe que vem aí sarilho. Vêm aí perguntas, e mais perguntas. Porque é que me deixaste, porque é que me pediste desculpa, não me amas... Sabe Deus as perguntas que aí virão.
- Eu só quero saber uma coisa. Pensaste em mim ou nela?
- Em ti.
E ele nem pensou duas vezes na resposta. Não precisou.
- Sabes? Fui eu que escrevi a nota que estava na porta da casa de banho. - Agora tudo faz sentido na cabeça dele. De facto, elas tinham formas de escrever parecidas. E ele deve ter confundido. - Mas causei o efeito que queria. Se ela estivesse viva, e soubesse do que se passou esta noite, ter-te-ia dito isso.
E a porta de casa é fechada com força. E ele aterra no chão da casa de banho. Agarra na embalagem de gel de banho da Vasenol e atira-a contra o espelho. O espelho parte-se, e ele pensa "boa, ao menos agora vou ter 7 anos de azar. Ao menos uma boa notícia!". Mas... Espera. Como é que ela tem a chave de casa dele?
Corre para o quarto, e escorrega, batendo violentamente com a cabeça na parede. O chão mancha-se de sangue. E ali fica ele, algumas horas, inanimado.
Por fim, acorda. Leva a mão à cabeça e segue para o quarto. Pega no telemóvel e liga-o. Telefona-lhe. Pergunta: "Como é que tinhas a minha chave de casa", por mensagem. Aguarda. O telemóvel vibra de novo. "Foi ela que mas deu.". Ele pergunta: "Porquê?". Ela responde: "Sinceramente? Para o caso de não chegares a tempo. Ela programou tudo ao segundo. Ela queria mostrar-te que te amava verdadeiramente, que era capaz de correr riscos por ti. Mas acabou por correr mal. Acabaste por não chegar a tempo. E eu amo-te, mas amava-a mais a ela. E agora odeio-te. Odeio-te por a teres deixado morrer e por teres vindo a correr para os meus braços. Odeio-te por me teres derretido ainda mais, e teres-me deixado sem opção a não ser deixar-te entrares em mim. Odeio-te, e sei que esteja onde estiver, ela também te odeia a ti. (...)".
É verdade. Ele foi horrível. Ele foi fatal. Em todos os sentidos. E deita-se sobre a cama, ainda nu, e fecha os olhos. Lembra-se da conversa.
- Eu dava tudo por ti. A minha vida, tudo o que tenho. A minha mota. A minha guitarra. O meu iPod. Dava-te a ti, por ti. - disse ele.
- Eu também dava tudo por ti - disse ela.
- Shhhh - faz um sinal com o dedo perto da boca - eu não quero que dês nada por mim. Não precisas. Eu só quero é que sejas feliz.
E ela quis mostrar-lhe que também era capaz de dar tudo por ele. Tudo. E deu. Deu o amor deles, deu  a vida dela. Deu a vida dele. Porque ele agora só quer é morrer.
Veste uma roupa qualquer que selecciona aleatoriamente do roupeiro e dirige-se à varanda da mini-sala. Abre a janela e atira-se. E morre.

(Continua)