sábado

Hoje é um daqueles dias. Não sei se às vezes também te acontece a ti, mas há dias em que me apetece desaparecer para uma ilha deserta. Hoje é um desses dias. Em que me apetece desaparecer completamente.
Levar música, caneta e um bloco no bolso. Levar a guitarra às costas. Calçar umas sapatilhas velhas que já não me servem. Vestir calções e t-shirt. Desaparecer. Arejar as ideias. Sentir a maresia dentro dos pulmões, debaixo do nariz. Ter as sapatilhas velhas cheias de buracos a deixarem pequenos grãos de areia aleijarem-me os pés. Os phones nos ouvidos. O suor a pedir um bom banho no mar, mar que encontro nesta altura à cabeceira.
Estendo a toalha. Tiro e atiro para perto da guitarra as sapatilhas gastas. Sacudo os pés. Deito-me. Inspiro. Estou no paraíso. É tudo tão perfeito. Tudo tão sereno, tão feliz. Tudo tão perfeito.
Quero desaparecer para uma ilha deserta. E ainda não vos disse o melhor. É que eu tenho companhia.

sexta-feira

Come on take my hand. I'll protect you. I promiss you i'll never let you get hurt.

Come on down and dance,
If you get the chance,
We're gonna spit on the rival.
All I wanna know,
Is how far you wanna go,
Fighting for survival.

Underneath the stars,
Where we parked the cars,
Ain't showing signs of stopping.
Pretty little girls,
Naked to their curls,
Ready to lay in the coffin.
If you wanna go,
I'm gonna go,
I gotta fire burning.
Come on take my hand,
Hope you see your man,
Baby's gonna be a big one.
Baby's gonna be a big one.

If you see the lights,
And we hear the fights,
It's gonna be a stunner.
I've got something here,
If you give me one more beer,
I'm gonna call a runner.
I don't want to say,
What I have to say,
If I'm a' kicking off now.
If you wanna go,
I'm gonna go,
I'm going back down south now.
I'm going back down south now.
I'm going back down south now.

If you wanna go,

I'm going back down south now.
Go on take my hand,
I'm going back down south now.
Wait 'til you see the light,
And we hear those fights,
I'm going back down south now.
I don't want to know,
How far you wanna go,
I'm going back down south now.

I'm going back down south now.
I'm going back down south now.
I'm going back down south now.
Oh, yeah.
I'm going back down south now

Back Down South, Kings of Leon (2010)

quinta-feira

Hoje aprendi uma coisa nova. Aprendi a dor que o silêncio causa. Aprendi que o silêncio grita agudo e mudo, e o coração é como uma janela, e os vidros da janela partem-se, e o meu coração parte-se com o silêncio dela. E eu pergunto-me se foi por minha culpa. Pergunto-me se fui eu, pergunto-me se errei mais uma vez.
Sabes? No domingo estava-me a apetecer fazer o que me apetecia. E se tivesse a certeza que estavas como eu ter-te-ia beijado. Sem pensar duas vezes.
Eu bem disse, hoje foi o meu dia de azar. Magoei uma amiga, esqueci-me da t-shirt em casa, e escutei o silêncio. Nunca pensei que pudesse ser tão verdade, mas o silêncio vale mais do que mil palavras. Mesmo. O problema é que neste caso eu não consigo perceber a língua que o silêncio não para de falar, e não consigo perceber a ordem correcta das palavras que o silêncio usa aleatoriamente, sabendo que o importante é dizer todas as palavras do puzzle. E eu gosto de puzzles, mas este puzzle é uma merda. As peças não se juntam umas às outras.

segunda-feira

Hoje estou feliz. Vou ser sincero convosco, isso não acontece verdadeiramente muitas vezes. Mas nos últimos 14 anos só me senti melhor e mais feliz do que sinto agora e me senti este fim de semana uma vez: quando estive em Londres. E quem me conhece sabe. Londres é a cidade dos meus sonhos, Londres é tanto mas tanto para mim. As ruas tão limpas, as pessoas tão simpáticas, que sorriem para ti quando passas por elas, como se te conhecessem desde pequenino. É tudo tão bom. E eu agora estou feliz. Não tanto quanto nessa altura, mas estou tão feliz. Porque finalmente estou a conseguir fazer alguma coisa de jeito, e porque finalmente me fizeram rir com vontade, e tudo mais. Tantas mais aparentemente insignificantes coisas que são catalisadores ou inibidores (não sei bem se aceleram ou se desaceleram), que alguém, talvez inconscientemente, juntou à reacção e que não aparece no final e nós não conseguimos decifrar o que foi. E torna tudo tão confuso. Mas belo. E feliz. E deixa-nos a escrever textos curtos.
A felicidade é a melhor coisa que há. Encontra-la em todos os cantos, nas esquinas das ruas, debaixo da cama, na praia, junto ao mar, nos teus amigos, nas pessoas à tua volta. Mas só se a agarrares com unhas e dentes é que consegues uma porção microscópica para ti.

And lay it down slow.

quinta-feira

Short story number four - How I Met Your Mother

Filhos, hoje vou contar-vos a história de como eu conheci a vossa mãe.
Estávamos no ano de 2015, e tudo era muito diferente de como é hoje. Eu tinha mudado de escola, porque ia para o secundário, bem como a vossa mãe. No dia de apresentação dos alunos aos directores de turma, apenas metade das pessoas tinham aparecido, e eu e a tua mãe fazíamos parte dessa metade.
- Nerds... - disse o filho.
- Cala-te, deixa o pai falar! Quero saber a história. - disse a filha.
Bom, continuando, eu e a vossa mãe éramos da metade que tinha aparecido na escola e digo-vos, quando a vi pela primeira vez, fiquei logo deliciado com ela. E foi por isso que decidi sentar-me ao pé dela.
- A sério? Que romântico! - disse a filha.
Não, estava a brincar. Isto foi com a vossa tia Leonor.
- A TIA LEONOR?! - perguntaram os filhos em conjunto.
- E a mãe? - questionou a filha.
Calma, estou a chegar lá.
Estávamos a meio da apresentação, e alguém bate à porta.
- Era a mãe? - perguntou o filho.
Não, era uma empregada da limpeza.
Enfim, entretanto, olho para o outro lado da sala, para ver que pessoas é que estavam na minha turma, ver se conhecia alguém ou não. E foi aí, que os meus olhos poisaram...
- Na tia Leonor? - perguntou o filho.
Não! Na vossa mãe. Tinha o cabelo preto, a pele macia, tudo nela chamava a atenção. Era a rapariga mais bonita que eu já alguma vez tinha visto.
No final da apresentação, estávamos a sair, e o telemóvel dela caiu. Eu peguei nele para lho dar, e começou a dar a "Good Feeling" dos Violent Femmes. Por isso é que a música é tão importante para nós. E por isso é que obrigámos a banda que tocou no nosso casamento a tocar essa música.
- Ah, sim, a história de teres partido a guitarra a um tipo duma banda - lembrou-se o filho.
Sim, isso. Mas deixem-me contar-vos como começámos, eu e a vossa mãe, como tudo aconteceu.
- Nah, já sabemos como se conheceram e não foi interessante, logo o resto é só secante. - disse a filha e saiu, juntamente com o irmão.
Crianças. Não acreditam na magia do amor.
Hello Miss evening
Nice to see you again
I know you stole the sun
But I hope you came to show

Where did I go wrong?
And am I forced to be strong?
I know you won't change
I know you won't change

Singin' ah, a-ah
Tu es, tu es le soleil
Ah, a-ah
Tu es, tu es le soleil

Hello Miss evening
Nice to see you again
I know you stole the sun
But I hope you came to show

Where did I go wrong?
And am I forced to be strong?
I know you won't change
I know you won't change

Singin' ah, a-ah
Tu es, tu es le soleil
Ah, a-ah
Tu es, tu es le soleil

Let it come to an end
Farewell

Miss Evening, Manana

segunda-feira

Descobri algures no facebook uma coisa que aleatoriamente te diz qual é a cidade que te apetece visitar. Curioso, saiu Miami. Tenho um comentário a fazer em relação a isto: o facebook é awesome, mas não me conhece nem um bocadinho. Eu nem preciso de pensar duas vezes. Se eu pudesse, fechava os olhos, esperava 10 segundos, abria e estava em Londres. Onde os sonhos parecem realidade, onde te sentes o dono do mundo, onde as pessoas passam por ti e te sorriem como se te conhecessem desde sempre.
Sim, Londres é a terra dos meus sonhos. Se me conheces bem e estiveste a perder tempo comigo, enquanto eu chorava baba e ranho, enquanto lamentava estar naquela situação, então sabes que sim, que faria qualquer coisa, que daria tudo para lá estar.
Obrigado, Miguel. Obrigado por seres o irmão que sempre precisei.
Sabem? Vocês, meus caros leitores e seguidores, são quase a melhor coisa que existe. Prometo que vou voltar a escrever sobre vocês. Em breve. (E esta promessa irei cumprir. Em breve)

O chão que piso todos os dias parece cada vez mais escasso. A área que parecia ser suficiente para tudo o que preciso todos os dias é, agora, uma pequena porção de quase nada. A música, a escrita, os amigos, as conversas. Tudo ocupa tanto mais espaço que aquele que calculei inicialmente. E ainda por cima há aquelas coisas que acontecem também todos os dias. Umas que me são indispensáveis, outras não. Outrora, conseguia usar uma só fórmula para calcular o espaço que tinha para mim. Hoje, tenho de subtrair à área total mil e uma coisas. E o que sobra? 10 nanómetros. É que mesmo que ficasse sempre em pé, pusesse as coisas umas em cima das outras, ia acabar por não ganhar muito mais espaço. E os meus pés têm, pelo menos uns 20 cm. Ou mais.
Mas não faz mal. Eu já não faço parte do meu mundo.