O céu é como tu e eu. Esconde muito mais do que apresenta. Esconde muito mais do que se pensa. E é muito mais do que aparenta ser.
Textos para quem tem o colesterol alto, porque o sangue já não circula como devia ser, e o coração não bate como era suposto.
terça-feira
segunda-feira
Eu costumava pensar que as coisas eram fáceis. Costumava pensar que era fácil ser-se humano. Costumava pensar que tudo era tão fácil. A vida. Costumava pensar que podia fazer tudo à minha medida. Costumava pensar que era fácil pré-visualizar o que eu achava que ia ser o meu futuro, e pensar que nada seria diferente do passado.
Costumava pensar que era sempre tudo igual. A chamada rotina era, de facto, uma rotina. Pensava isso, juro que pensava. Juro que pensava que tinha tudo na minha mão. Pensava que tinha o mundo a meus pés se estalasse os dedos.
Enganei-me.
E hoje sei que o dia muda de dia para dia. A rotina não é uma rotina. As coisas mudam todos os dias. Todos os dias fazemos acções que mudam tudo. Por exemplo, se eu decidir não ir jantar agora, depois de escrever este texto, vou provavelmente para a cama com dor de barriga. Se eu decidir não lavar a loiça hoje, amanhã de manhã ela espera-me, e sei que vou ouvir a minha mãe a reclamar por isso. Sei que se eu for um assassino em série, vou alterar uma vida, e depois outra, e depois outra, e mais outra, e ainda mais outra. Um número interminável de vidas vão ser alteradas, por cada pessoa que eu assassinar. Bem, umas mais que outras, mas acaba sempre por alterar tudo.
E eu sou assassino em série. Sem a parte do assassino. Aliás, todos nós somos. Todos nós mudamos alguma coisa por cada acção que tomamos. E às vezes pensamos que não. E às vezes queremos as coisas tanto que nem queremos saber que as pessoas se calhar podem não querer o mesmo que nós, ou podem simplesmente querer pensar se querem ou não. E acabamos por as sufocar. E eu espero não estar a sufocar-te, porque um dia terás eventualmente que morrer, mas eu espero que não seja por minha causa.
domingo
The Blower's Daughter
And so it's
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it's
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
And so it's
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it's
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind... my mind...
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it's
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
And so it's
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it's
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind... my mind...
Damien Rice, The Blower's Daughter (Setembro de 2001)
Já conhecia antes de a Carolina a cantar há minutos no ídolos. Mas é sempre bom ouvir e re-ouvir e re-ouvir. E isto faz-me lembrar que sou burro porque apaguei a música do telemóvel. E vou redimir-me agora. Vou re-passar a música para o telemóvel. Para junto da Wooden Arms, da Lights, da Wonderwall, da Lucky... E tantas outras.
sábado
Finalmente decidi armar-me em jornalista:
Crash da bolsa portuguesa - uma pitada de pseudo-jornalismo de pseudo-qualidade.
quinta-feira
Echoes & Silence, Patience & Grace
Home, by the Foo Fighters, from their album Echoes, Silence, Patience & Grace.
Sabem? Quero uma casa grande, simpática, que possa levar comigo quando for à praia, à noite. Quero uma árvore grande, cheia de ramos, flores e frutos. Não quero noivas russas nem chinesas, não quero uns óculos de sol grandes e vistosos, não quero um choro no canto do olho. Quero um sorriso de orelha a orelha, quero um beijo na bochecha, quero uma almofada literalmente esventrada, quero estrelas em Fevereiro. Quero uma árvore ao pé da minha casa. Quero uma nódoa na gravata que saia na lavagem, quero uma camisa branca bem engomada. Não quero tremoços voadores, não quero pevides meias mastigadas, não quero meias rotas. Quero um cobertor, um aquecedor e um quarto de uma pensão rasca. Não quero uma janela que não feche, um quarto cheio. Quero um momento sozinhos. Quero olhar-te nos olhos e dizer-te que não interessa a conclusão. Quero que vejas que tenho os olhos cheios de lágrimas quando a minha casa grande se desmorona e cai bocados dela em cima do meu carro super potente e super caro. Quero ver felicidade em todas as caras das pessoas que me são mais próximas, e saber que não vão chorar nos próximos 73 anos. Quero saber que o mundo pode acabar agora. Quero uma luz bem grande, um pinheiro de Natal a sério, gosto mais deles do que dos brincar, dos artificiais. Não quero o Pai Natal a entrar pela chaminé, quero-o a entrar pela porta e a comer o assado com quem eu quiser. Não quero perder o Optimus Alive! deste ano, uma laranja podre, um assado estorricado. Quero um perú grande em cima da mesa, para quem vier comê-lo, um sofá fofo, um abraço bem dado. Não quero uma lágrima no canto do olho. E quero, acima de tudo, uma casa grande, simpática, que possa levar comigo quando for à praia, à noite, e que dê para andar às minhas costas.
E é tudo isto que eu quero/não quero este Natal, sem tirar nem pôr.
terça-feira
I've applied the pressure/to have you crystalised
You've applied the pressure
To have me crystalised
And you've got the faith
That I could bring paradise
Things have gotten closer to the sun
And I've done things in small doses
So don't think that I'm pushing you away
When you're the one that I've kept closest
Placid as I melt into the sea
(Things have gotten closer to the sun)
I wish the tide would take me over
(And I've done things in small doses)
I've been down onto my knees
(So don't think that I'm pushing you away)
And you just keep on getting closer
(When you're the one that I've kept closest)
To have me crystalised
And you've got the faith
That I could bring paradise
I'll forgive and forget
Before I'm paralyzed
Do I have to keep up the pace
To keep you satisfied
Before I'm paralyzed
Do I have to keep up the pace
To keep you satisfied
Things have gotten closer to the sun
And I've done things in small doses
So don't think that I'm pushing you away
When you're the one that I've kept closest
You don't move slow
Taking steps in my directions
The sound resounds, echo
Does it lessen your affection
No
Taking steps in my directions
The sound resounds, echo
Does it lessen your affection
No
You say I'm foolish
For pushing this aside
But burn down our home
I won't leave alive
For pushing this aside
But burn down our home
I won't leave alive
Glaciers have melted to the sea
I wish the tide would take me over
I've been down on my knees
And you just keep on getting closer
I wish the tide would take me over
I've been down on my knees
And you just keep on getting closer
Placid as I melt into the sea
(Things have gotten closer to the sun)
I wish the tide would take me over
(And I've done things in small doses)
I've been down onto my knees
(So don't think that I'm pushing you away)
And you just keep on getting closer
(When you're the one that I've kept closest)
Go slow
Go slow
Go slow
Go slow
Go slow
Go slow
Go slow
Go slow
Go slow
Crystalised, The XX (27 Abril 2010)
Já sei o que vou pedir ao Pai Natal. Uma grande caixa de chocolates. Sugestão da Luísa, sugestão aceite. O Pai Natal pode é não ma dar porque eu portei-me mal, fui um menino muito feio e muito mau. E só peço desculpa por isso.
domingo
Slow Motion Story 1 - O espantalho e a boneca de porcelana
Quando eu era pequeno, e já depois de o meu pai falecer, a minha mãe dizia-me sempre para ter o cuidado de não me apaixonar por uma boneca de porcelana. De facto, quando um espantalho e uma boneca de porcelana se cruzam, a probabilidade de nascer uma boneca de porcelana é de apenas 25%, o que torna as bonecas de porcelana únicas e especiais. Isto aumenta o número de espantalhos que procuram satisfazer uma mesma boneca de porcelana, e a minha mãe queria que eu não sofresse.
Há uns meses, conheci alguém. Nesse dia, ela tinha um vestido preto que lhe ficava perfeito. Metemos conversa um com o outro e acabámos por trocar contactos. A amizade foi crescendo a uma velocidade estonteante e depressa um sentimento que os espantalhos não sentem, pelo menos em 99% dos casos, foi crescendo. A minha avó disse-me que os Homens chamavam-lhe de amor, que o sentiam a toda a hora e não paravam de falar sobre ele. Acabei por perceber que ela tinha razão, algum tempo mais tarde, e que a cada dia esse dito "amor" estava a crescer.
No entanto, descobri que ela era uma boneca de porcelana, no dia em que ela apareceu à minha frente, do nada, de camisola, casaco, saia e collants pretos, sapatos de salto alto e um chapéu azul com uma flor, de lado. Fiquei sem saber se seguia em frente ou dava ouvidos à minha mãe, mas acabei por decidir ignorar a segunda opção e vim a descobrir que ela já tinha par.
Apesar de tudo, algo de estranho aconteceu. Ela soube das minhas intenções e disse-me que gostava que um dia eu pudesse ser o seu par. E eu, peguei no meu chapéu de palha, encostei-o ao peito com a mão esquerda, estendi-lhe 5 pequeninos bocados de madeira e ela dançou comigo.
Hoje olho para trás. Não sou o par desta maravilhosa boneca de porcelana, mas não vou deixar que a partam. Nem que a tenha que pôr na prateleira mais alta da estante, onde só chego se subir a um banco da cozinha.
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